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TRAVESSURAS ÀS AVESSAS

As crianças são realmente surpreendentes. Constatei isso em duas ocasiões em particular. Uma aconteceu nesse último Natal. Conforme tinha prometido a mim mesmo, vesti-me de Papai Noel. Cena, obviamente, ridícula... Não só pela fantasia comprada em uma versão piorada da Rua 25 de Março, que mal cabia no meu corpo, mas principalmente pelas gargalhadas que despertava à medida que vestia as peças. O travesseiro da barriga quase não entrou, o gorro era apertado demais, a barba denunciava por baixo dela meu cavanhaque e as calças mostraram-se muito curtas, tipo pula-brejo. Para piorar, tive de colocar óculos escuros. E, é claro, suportar um calor do cão sob aqueles trapos de lã.

Bom, afora esses pequenos detalhes, tudo transcorreu na mais perfeita normalidade, e a criançada teve a certeza de que o bom velhinho é capaz de entrar pela janela de qualquer casa mesmo com grades bem espessas. Pelo menos até o momento do susto. Foi pouco depois da despedida da celebridade da noite, já com o saco vazio. Meu mais velho subiu com a prima para o quarto onde havia me trocado e viu as roupas vermelhas estupidamente deixadas no chão. Quando me contaram, logo pensei: “Putz, a casa caiu”. Qual não foi minha surpresa ao ouvir, antes de entrar em desespero, a versão das crianças. Chocada, minha sobrinha disparou, na lata: “O Papai Noel foi embora pelado”. Contive o riso. Então, respirei fundo, olhei bem pra ela e emendei: “Pois é, tava muito calor e ele resolver tirar a roupa antes de sair”. Meu filho me olhou intrigado, mas com aquela convicção que só uma criança é capaz de ter. Ufa, estavam livres de nosso tolo ceticismo.

Passados alguns dias, meu filho me vem com outra. Temos um amigo muito peludo, tipo Toni Ramos. Para se ter uma idéia, toda vez que ele fica sem camisa alguém lança a pergunta: “Não vai tirar o pulôver?”. Por conta disso, o apelido dele virou Pêlo. Para o meu filho, Tio Pêlo. Muito bem, eis que, no tal dia, em uma conversa trivial, surgiu a pergunta: “Por que o Tio Pêlo chama Tio Pêlo?”. Minha mulher não precisou de muita habilidade para responder. Explicou que o nome dele, na verdade, é outro e que o apelido veio com a idade, por conta dos pêlos que cresceram nele ao ficar grande. O garoto demorou alguns segundos para processar a informação, mas, assim que finalizou o raciocínio, mandou a réplica sem piedade: “Mamãe, qual vai ser o meu nome quando eu crescer?”.

Sim, e ainda dizem que somos nós, os adultos, que ensinamos lições aos pequenos.



Escrito por Giuliano Agmont às 19h39
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